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I teach and practice Gestalt therapy, Career decision coaching, and Family Constellations work. As well as Australia, I teach workshops and training in China, Japan, Korea, the USA & Mexico. I am author of Understanding The Woman In Your Life, a book of advice for men about relationships with women. In my work as director of Lifeworks I provide therapy,  training and supervision. I am a Phd candidate, studying the interpersonal dynamics of power, and am currently director of an MA in Spiritual Psychology for Ryokan College, an accredited online institution based in LA.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Case #40 - Precisar de apoio, precisar de independência

A Martha tinha lágrimas nos olhos, e estava a morder o lábio. Eu observei isso, e ela comentou que estava a conter os seus sentimentos. Convidei-a a respirar, a estar presente... e as lágrimas aumentaram.
Ela contou a sua história, uma longa e penosa história, acompanhada de muitas lágrimas. O seu pai trabalhava numa outra cidade. Ela, a mãe e a irmã tiveram de mudar para uma pequena cidade enquanto ele estava fora, e tiveram de ficar com os avós maternos. Mas, o avó tratava-as mal a todas...se as crianças faziam muito barulho, ele ameaçava tirá-las de casa e inclusivamente colocou as suas malas do lado de fora ocasionalmente. Antes disso, a sua irmã tinha vivido com os avós e, sempre que ela e a mãe os iam visitar, os avós apontavam falhas na Martha e colocavam-na contra a sua irmã.
Finalmente a sua mãe saiu de casa, para uma casa própria. Mas ela era uma bonita mulher e, frequentemente, o homem com quem ela trabalhava na loja vinha até à casa, procurando por ela. Ela mandava-o embora, mas uma vez permitiu que ele entrasse, e começaram a ter um caso. A Martha estava sempre assustada quando ele vinha lá a casa.
Quando o caso foi descoberto, a sua mãe foi envergonhada publicamente na pequena comunidade em que viviam. E a Martha foi envergonhada pelas crianças na escola. Depois, o seu pai voltou, os avós bateram na mãe...os traumas continuaram.
Esta era uma história repleta de dor e sofrimento. Enquanto a contava, ela procurou a minha mão e apertou com força. Sentá-mo-nos assim enquanto ela desabafava.
Há diferentes tipos de histórias na psicoterapia. Algumas são antigas, mortas e repetitivas, servindo apenas para reforçar o desamparo e talvez ganhar simpatia. Estas histórias têm de ser trazidas para o presente, trazidas à vida através de experimentações corporais e da respiração através das emoções.
Mas esta história estava viva, estava sentada ali, a aguardar por ser contada há 30 anos e, nas circunstâncias adequadas, sair, flutuar, libertar-se, integrar-se no caminho.
Assim que ela acalmou eu larguei a sua mão, mantendo-me junto dela.
A Martha disse que havia luz ao longo do caminho. A intimidade que tinha com a mãe e irmã, mesmo quando apenas tinham pão e feijões para comer. E os namorados que teve, especialmente o primeiro, eram carinhosos e atenciosos com ela pelos problemas da sua família.
Este apoio continuou com o seu marido, de quem era muito próxima, e eles tiveram uma relação muito apaixonada. Tudo bom. Exceto após 20 anos, com o crescimento do filho, ela não estava mais apaixonada por aquele lugar que tinha sido o seu abrigo quando ela saiu daquela cena familiar dolorosa.
Ela procurava uma nova direção, crescimento pessoal, e uma mudança de carreira. Mas o seu marido segurava a sua mão, como sempre. A relação tinha funcionado porque ela precisava de apoio e ele dava. Mas agora, ela precisava de independência, e ele ainda se mantinha na mesma.
Eu salientei o paralelismo com a sessão. Ela precisou de mim ao atravessar o trauma. Mas, no final, eu pude largar a sua mão, ela apenas precisava de mim junto a ela e não mais a segurá-la.
Eu delineei-lhe os tipos de declarações que ela podia fazer ao marido, ajudando-o a compreender e ser capaz de lidar com o facto de ela precisar de seguir um rumo mais independente, e talvez ajudá-lo a lidar com as suas inseguranças sobre isso. Por sua vez, isso dar-lhe-ia o apoio que ela precisava agora da parte dele - estar confortável com ela ir e vir.
Chegando a esta parte da sessão, ela estava capaz de ver como devia proceder com maturidade e diferenciação, lidar com a alteração da dinâmica da relação, e com a sua posição na sua vida.

sábado, 27 de setembro de 2014

Case #39 - A forte florista

Quando solicitei voluntários, a Fran destacou-se. Já tinha reparado nela, tinha sido a primeira a colocar uma questão.
Em vez de lhe colocar questões, comecei com os pontos de ligação que já tinha com ela - coisas que reconheci, e as minhas respostas aos aspetos da minha experiência sobre ela.
Ela disse que era frequentemente a primeira a voluntariar-se, e eu partilhei que isso acontecia também comigo. Isto criou imediatamente um terreno entre nós. Perguntei-lhe em que é que trabalhava - era florista, mas disse que queria abrir o seu próprio negócio nesta área, e que estava determinada a ser bem sucedida. Eu podia ver que ela era uma jovem mulher, brilhante e confiante, e disse-lhe que, quando ouvi a forma como ela partilhou os seus planos, acreditei nela.
Novamente, isto é construir um campo relacional de trabalho, e reconhecer o que se destaca nos termos do processo.
Perguntei-lhe qual era a sua flor favorita (para descobrir o que era figurativo para ela). Ela respondeu o girassol. Declarei o quanto gostava deles, e o que eu gostava neles. Ela disse que gostava de uma variedade de coisas - que eram alegres, luminosos, fortes, altos...
A forma como ela disse 'fortes' foi enfatizada, então perguntei-lhe de que forma ela se sentia forte. Ela explicou que, de facto, era forte e estava contente com essa qualidade, pensando que quando se sentia irritada podia ser destrutiva.
Então convidei-a para uma 'luta livre terapêutica', onde nos colocávamos em lados opostos e empurravamos as mãos um ao outro. Isto foi divertido, e permitiu-lhe sentir a força completa da sua agressividade de forma segura, em jogo e contato. A experimentação também mostrou que a sua irritabilidade e agressividade podiam ser positivas, e não apenas negativas. Isto proporcionou mais terreno entre nós.
Eu salientei que as mulheres fortes não são sempre apreciadas na sociedade, enumerando alguns potenciais fatores contextuais para ver como ela reagia a isso. Ela disse que por vezes era demasiado forte, e que ultrapassava as pessoas. Eu pedi-lhe um exemplo, e ela falou sobre um taxista que não queria utilizar o metrónomo e com quem ela gritou. Eu podia compreender a sua reação, e salientei que eu poderia ter feito o mesmo. Mesmo assim, ela disse que se sentia triste por ter perdido o controlo.
Então perguntei-lhe sobre o seu contexto, a sua família, e quem na sua família era fora do controlo. Ela disse que o seu pai expressava frequentemente emoções fortes enquanto ela crescia. Mas em vez de se assustar com isso, ela tornou-se também assim...e por isso não gostava de estar fora do controlo da sua irritabilidade, mesmo que isso pudesse ser razoável no caso do taxista.
Eu podia compreender isso e sugerir que, agora que ela tinha crescido, talvez ela pudesse escolher quais das qualidades do seu pai ela queria manter, e quais não queria. Então, coloquei uma cadeira em frente a ela a representar o seu pai, e pedi-lhe que 'falasse diretamente para ele' sobre isto, ajudando-a a articular as frases que tornavam claro o que ela apreciava e queria manter, e o que ela queria deixar, não seguindo as suas pegadas.
Ela sentiu-se aliviada depois disto, e mais capaz de se sentir confortável com a agressividade como uma força através da qual ela podia fazer escolhas, em vez de algo com o qual se sentia mal ou que a desafiava.
Isto é o que designamos 'integração' e ocorre, não apenas em termos de introspeção cognitiva mas especialmente somática, mas como uma alteração baseada no corpo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Case #38 - A mulher que fracassou

A preocupação da Jemma era o fracasso. Ela tinha fracassado em tudo - teve 5 acidentes a trabalhar para a companhia, cometeu erros de computação para outra e, constantemente, ela sentia-se um fracasso.
À medida que trouxe esta preocupação, eu fui prudente. Ela contou história após história, uma a convergir na outra. Estava chorosa, a desabar, e eu podia ver-me a trabalhar com ela durante horas sem chegar a nenhum lugar. Também mencionou os problemas que estava a ter com os seus pais, depois de ter saído de casa, sentindo-se muito irritada com eles, suspeitando do seu pai e das suas intenções. Ela estava claramente desesperada por ajuda, e esse mesmo desespero colocou-me de fora. Vi-me a reagir, a querer afastar-me.
Então sabia que tinha de avançar diretamente para o coração, e isso incluía-me a mim mesmo. Disse-lhe - vamos então trabalhar com o fracasso; está a acontecer neste momento - o seu estilo está a ter um impacto em mim. Ela assentiu - ela podia sentir que eu tinha essa reação e, claro, esta era a sua experiência familiar.
O primeiro passo para alguém fechado numa forma de ser autodestrutiva é trazer tudo para o presente, em vez de ouvir histórias 'sobre' isso. E a melhor forma de fazer isso é observar como se molda no relacionamento.
Então pedi-lhe para jogar um pequeno jogo comigo. Pedi-lhe para adivinhar como eu estava a reagir ao seu fracasso comigo - depois de cada duas respostas eu diria se ela estava certa ou não.
Ela disse que eu estava a dar o meu melhor para ser paciente. Eu respondi que não. Ela sugeriu que eu tinha compaixão em relação a ela. Eu respondi que não.
Eu disse-lhe - sinto-me irritado consigo.
Depois pedi-lhe para adivinhar como isso me faria sentir. Ela achou que eu estava a suprimir esses sentimentos. Eu disse que isso era, em parte, verdade. Ela sugeriu que eu estava a sentir isso na minha barriga e no meu peito.
Então disse-lhe que, de facto, sentia irritação perante ela, e que sentia uma espécie de pressão interna no peito.
Pedi-lhe para fazer esta experimentação porque queria tirá-la do seu pântano de auto-piedade e daquela fórmula de prisão no fracasso. Queria que ela observasse que era uma experiência criada com a sua cooperação, e que ela era, efetivamente, a única a sofrer com isso. Também foi horrível para mim. Também lhe pedi para fazer isto, na medida em que estava claramente paranóica (com o seu pai), que era melhor praticar o 'jogo de adivinhar' e ter a oportunidade de estar correta, em vez de estar isolada nas suas projeções.
Depois convidei-a a trocar de lugar. Eu seria ela, e vice-versa. Então eu estava triste, a sentir-me um fracasso, e ela era a irritada.
Ela reparou em si mesma nesse papel 'eu sou mesmo como os meus pais - censurando, gritando, criticando, colocando para baixo, pressionando para o desempenho'.
Isto foi útil porque, uma vez mais, puxou-a da sua parte identificada da polaridade, dando-lhe uma sensação experimental mais ampla sobre o que estava a acontecer.
Depois dei-lhe a metáfora do recrutamento - é como se ela me recrutasse para o trabalho de estar irritado com ela, e fê-lo de forma tão bem sucedida que, num minuto a ouvi-la, eu senti-me mesmo irritado. Também salientei que, em determinado nível, eu concordei em desempenhar o outro lado disso, e foi a parte sádica de mim que o consentiu.
Expliquei que isto era um jogo de duas pessoas. Ela disse - realmente, quando estava a desempenhar a irritada, lembrou-se da pressão que também os seus avós desempenhavam desta forma.
Então, de facto, isto retratava as operações no seu terreno.
Dei-lhe outra metáfora: um guião, e jogadores disponíveis. Ela reproduzia o guião em cada uma das áreas da sua vida. Ela concordou. Isto encaixava o que sucedia no terreno, em vez de colocar em termos individuais (o seu problema), e salientava a natureza compulsiva e inexoravelmente repetitiva da sua natureza, e dos que a rodeiam, num processo transacional.
Depois convidei-a a escolher qualquer jogo com que estivesse familiarizada, com personagens que fossem semelhantes ao seu campo pessoal. Ela descreveu um drama particular com personagens que expressavam exatamente todo o processo que ela encobria.
Então pedi-lhe um exemplo de outra história - filme ou teatro, onde houvesse um guião diferente. Aqui eu estava a explorar amplamente, outros recursos no campo, outras formas de ser. Ela escolheu o Harry Potter, e depois perguntei-lhe que personagem ela queria ser, tendo ela respondido o Harry.
Pedi-lhe que me olhasse como o Harry Potter olha. Isto tinha a ver com a forma como ela desempenhou o papel de vítima usando os seus olhos - ela olhou-me de uma forma particular.
Ela tentou esta experimentação e, à medida que explorávamos a natureza do Harry Potter nos filmes - a sua incapacidade de ser morto, etc., ela começou a ter um sentido mais consistente de si mesma nesta aparência.
Ela sentiu uma mudança na sua identidade e, por outro lado, eu senti-a de forma diferente.
Avançar com este processo requereu que eu estivesse muito presente com ela, e que fosse muito honesto a todo o tempo. Eu trabalhei o relacionamento, com uma variedade de experimentações, das quais a última foi 'a mudança de terreno'...mas requereu tudo o que foi passado antes.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Case #37 - A lança abusiva e a lança protetora

Eu calculei que a Celia estivesse nos seus trintas, mas de facto ela tinha 51 anos, com uns poucos filhos. Era notável, dada a dura vida que tinha tido, no entanto ele aparentava-se calma - e, por isso, a sua aparência jovem. Isto eram coisas que eu não tive espaço para explorar, mas que pensei anotar para trabalho futuro. É sempre importante reconhecer impressões imediatas, e mesmo 'olhar com novos olhos' clientes familiares para observar discrepâncias ou coisas com relevância para a terapia.
Ela trouxe a questão do medo de desempenhar o tipo de trabalho que tinha vindo a praticar nos últimos 10 anos. Queria ser assistente social, e agora os seus filhos tinha deixado a casa, este era o seu objetivo declarado.
Mais do que tentar trabalhar a sua confiança e procurar os seus medos, eu queria descobrir o seu contexto - o apoio no seu ambiente para que ela o fizesse. Ela tinha apoio profissional de um grupo de assistentes sociais, portanto esse não era o problema.
Contudo, o seu marido tinha dito que se divorciava dela se ela prosseguisse esta linha profissional. Esta era uma reação relativamente forte, mas não inteiramente surpreendente dada a cultura patriarcal em que esta sessão se desenvolveu.
No entanto, quando aprofundei a questão, ela revelou que estava numa relação de violência doméstica há décadas.
Pareceu-me estranho que em 10 anos de estudo e terapia relacionados com as suas aspirações sociais isto nunca tenha surgido, ou que as suas professoras não se tenham sentido de alguma forma responsáveis por saber com o que ela lidava.
Na terapia é importante não nos focarmos apenas nos sentimentos, mas também no contexto, particularmente num contexto de abuso constante. Isto precisa de ser mantido como foco da terapia.
Então, eu não estava disposto a lidar com outras questões, a não ser que isto estivesse no âmago - o seu medo compreendido - foi identificado. Ela disse que a violência tinha cessado recentemente.
Eu contei-lhe os meus próprios sentimentos enquanto me sentei com ela - aberto a ela, a sentir-me muito ligado com a seriedade das questões, querendo apoiá-la, mas também muito cauteloso e a querer avançar de forma respeitadora.
Salientei que o medo era praticamente 'um membro da família'. Ela concordou. Pedi-lhe que desse uma identidade ao medo - ela disse uma figura com roupas pretas, grandes olhos, um sorriso e uma lança. Descreveu-o como 'misterioso'.
Perguntei-lhe por mais detalhes - como eram as roupas. Queria mesmo colocá-la em contato com o seu medo. Depois convidei-a para participar numa experimentação Gestaltista: 'ser' o medo - para me mostrar como o medo se apresentava, com a sua lança, e olhos grandes.
Ela fê-lo - e eu fi-lo com ela. Frequentemente é bom fazer estas experimentações com o cliente.
Depois pedi-lhe que se sentasse novamente - não queria perder muito tempo com isto. Descrevê-lo, sê-lo, era já um grande feito.
Ela disse que tinha sentido como se eu lhe tivesse dado muito neste processo, e que se sentia relutante em aceitar mais - como se me tivesse que dar de volta a mim. Ela explicou que foi educada a 'estar lá' para o homem e, embora ela se tivesse revoltado contra isso enquanto menina, fazia parte do seu condicionamento.
Então eu 'peguei' nesta situação e parei. Eu disse, 'ok, então o que gostava de me dar de alguma forma; eu estou aberto a receber'. Sentá-mo-nos em silêncio e depois ela disse que queria dar-me o reconhecimento pelo que tinha feito até ali.
Depois de estarmos assim, ela sentiu-se novamente segura comigo, pronta para continuar. É bastante importante ouvir o que ocorre exatamente com o cliente, momento a momento, e estar com ele nesses momentos, acompanhando o seu ritmo.
Perguntei-lhe onde estava o medo agora - ela respondeu que estava dentro dela. Ela disse que a lança estava a tocar na sua cabeça e a magoá-la.
Avancei para um modo relacional direto com ela. Disse-lhe que me sentia triste pela dor que ela vivia, profundamente triste. Queria 'resgatá-la', protegê-la, mas não sabia como o fazer.
Ela estava muito agitada, e sentá-mo-nos numa ligação silenciosa por um tempo. Esta foi a chave da mudança - alguém que se preocupava, que podia estar com ela de forma protetora, mas sem apressar as coisas estabelecidas.
Este foi um momento 'eu-tu', com dois seres humanos amplamente conetados. Eu era o terapeuta e ela a cliente, mas naquele lugar, eramos duas pessoas, sentadas uma com a outra e com a profunda dor da situação. Levei a sua dor muito seriamente - não apenas como uma experiência em jogo, não apenas como uma figura de medo, mas de facto várias décadas que valeram o medo relacionado com a violência.
Sentados neste local, eu também tinha uma lança, uma lança de proteção. Convidei-a a 'levar-me', com a lança, para o seu coração.
Ela conseguia fazer isto com facilidade, e com lágrimas. Ela sentia-se segura e apoiada.
Isto refere-se a um 'objeto pessoal' - 'levar-me' significava que ela tinha uma figura de autoridade dentro dela que estava lá para ela, na medida em que a experiência anterior de autoridade no seu crescimento era supressora, e que ela esperava estar lá para o homem na sua vida.
Apesar de não ter 'ocorrido' muito na terapia, teve um grande impacto. No final, perguntei-lhe onde estava o medo em relação a mudar de profissão. Ela respondeu que já não se sentia mais intimidada. Perguntei-lhe - mesmo que isso custe o divórcio? Ela respondeu, sim.
Agora, isto é apenas um pedaço de trabalho no que precisa de ser uma terapia contínua com o relacionamento, e lidar com isto após uma longa fase de violência. Eu gostava de manter um olhar atento a isto, como se fosse possível reverter a situação de violência, e como profissional, como uma pessoa que se preocupa devidamente, garantir que não faço parte de forma alguma desse ciclo.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Case #36 - A mulher que não sentia nada

A Brenda falou de não ter uma identidade clara - facilmente perdia o sentido das fronteiras e identificava-se com os outros.
Também falou de ser envergonhada, não gostar de ser fotografada ou colocada sob atenção.
Estes eram indicadores de necessidade de proceder com cautela e sensibilidade, e consciência de potenciais questões de vergonha (relacionadas com a exposição).
Deixei-a saber que eu não queria explorar mais do que para ela estivesse bem.
Salientei que estavamos em frente de um grupo de pessoas, e perguntei-lhe como se sentia com isso. Ela disse que olhavam para ela mas que não se sentia observada. Perguntei-lhe se isso tinha a ver com o pouco conhecimento que tinham sobre ela, ou porque ela se estava a esconder. Ela disse ambos.
Isto ajudou a enquadrar-me na dinâmica relacional. Então coloquei isso de volta nela - eu estava a olhar para ela, mas ela também se escondia de mim. Ela disse que sim, que fazia isso com toda a gente.
Isto, evidentemente, causa um impasse relacional - uma parte dela deseja ser vista, mas outra parte não o permite. Isto foi um aviso de que eu tinha de proceder com cuidado, ou simplesmente me tornaria frustrado e apanhado nesta dinâmica.
Então, em vez de explorar, disse-lhe coisas que ela já tinha permitido que eu observasse acerca dela - pedaços de informação pessoal que ela tinha partilhado. Refleti também o que tinha visto - por exemplo, a cor das roupas que ela usava.
Isto criou algum terreno para o que havia entre nós, sem lhe perguntar mais questões, indicando que eu estava presente com o que ela partilhava e com o que ela tornava disponível. Em casos de vergonha é importante partilhar algo de nós mesmos, em vez de examinar excessivamente a pessoa.
Mas os seus olhos ainda estavam vidrados, e ela relatava que estava à deriva. Isto indicava que o contato era muito. Então, perguntei-lhe onde ela derivava...ela disse num local de inúmeros mundos, vidas passadas.
Isto indicou-me dissociação, e as questões de segurança encontravam-se primeiramente aqui.
Sugeri que derivasse efetivamente para um estado de sonho, e que eu podia fazer o mesmo, e que podia convidar todos os que estavam no grupo para este tipo de estado, de maneira a que pudessemos sentar-mo-nos todos juntos nesse local.
Esta sugestão tomou-lhe um momento, e encorajei-a seguidamente a convergir nesse sentido. No Gestaltismo chama-se a teoria paradoxal da mudança - estar com o que é e inclinar-se para isso.
Ela disse 'não sinto nada'.
Por outras palavras, ela estava completamente dissociada. Neste local, apenas um determinado tipo de contato está disponível.
Perguntei-lhe que tipo de apoio precisava para se sentir segura. Partilhei a minha tristeza - de que não estava a olhar para ela de todo, não estava a tentar vê-la, o seu esconderijo estava completamente adequado. Disse-lhe que sentia calor em relação a ela, mas que não conseguia encontrar forma de a alcançar.
A Brenda olhou-me e disse 'eu não gosto de aceitar apoio'.
Esta foi a revelação que me indicou como proceder.
Sugeri uma experimentação - ela levantava duas mãos - uma mão empurrava, e a outra estava aberta para receber apoio.
Fizemos isto e ela foi capaz de receber o meu apoio - lentamente alcancei a sua mão aberta com a minha e segurei-a.
Depois ela relatou que havia uma 'força' que lhe dizia para não sentir. Pedi a alguém que se colocasse em frente a nós, representando essa força. Ela não conseguia/queria identificar o que isso representava, o que não levantava problema.
Esta foi uma declaração de diferenciação e integração.
Ela podia permitir a si mesma sentir, aceitar apoio, colocar-se na relação, ser vista naquele lugar, e ter uma sensação de poder de escolha.
Este trabalho foi lento, e requereu que eu constantemente respeitasse as suas fronteiras, não perguntasse demasiados detalhes, mesmo sobre o que estava a sentir...mas também não desistindo. Normalmente, as pessoas reagem a quem estabelece este tipo de fronteiras privadas - ou afastando-as, ou encontrando-as de forma desconexa, ou bombardeando a pessoa com interesse e bondade. O que é necessário é uma presença neutra, com calor suficiente mas sem exagero, interesse suficiente mas não demasiado - isto é chamado sintonia e é o âmago da capacidade relacional.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Case #35 - Irritada com o ex

A Marion evocou a questão dos arranjos parentais partilhados com o seu ex-marido. Tornou-se claro que esta não era uma preocupação substantiva. O que era mais relevante era o seu desconforto e assuntos inacabados com ele.
Antes de entrar em detalhes disse-lhe - a minha experiência quando a olho é como se os seus olhos me perfurassem. Tinha mesmo um grande impacto em mim. O que eu tenho em comum com o seu ex-marido é que também sou homem, e imagino que alguma dessa energia que sente em relação a ele também está presente aqui comigo.
Quando lhe perguntei qual era a questão, ela respondeu irritabilidade.
Perguntei-lhe sobre o que a irritava. Ela começou a contar-me uma longa história sobre as circunstâncias...e após algum tempo eu perguntei novamente: ok, então o que é que realmente a irrita. Uma vez mais, ela contou mais da sua longa história.
Tive de lhe perguntar diversas vezes até que ela estivesse capaz de se estabelecer clara, direta e sucintamente que se sentia traída pelo ex-marido, como ele tinha deixado de a apoiar em termos financeiros para colocar o dinheiro no negócio que geria. Também estava irritada porque ele lhe mentia sobre este assunto, bem como aos pais dela (com quem eles viviam).
Eu disse que sim, que ela parecia irritada, que conseguia ver isso nos seus olhos. O que sente neste momento?
Ela começou a falar sobre coisas que se centravam mais nas suas avaliações, julgamentos e opiniões do que nos seus sentimentos.
Disse 'estou a morder os meus sentimentos'.
Então convidei-a a imaginar que eu era o seu marido, e a 'morder um pouco de mim'. Ela começou a explicar que também se sentia culpada pela situação.
Então foquei-me nela novamente, e pedi-lhe que me dissesse algo diretamente, começando pelas palavras 'estou irritada...'
Finalmente, ela começou a expressar-se de forma direta, evocando as coisas sobre as quais estava irritada.
Eu reconheci os seus sentimentos, reconheci como conseguia ver e ouvir a sua irritação...e depois como consegui ver isto a tornar-se em lágrimas - e assim conseguia também ver o seu sofrimento.
Continuei a encorajar a sua expressão direta, e ela continuou a alternar entre irritação e lágrimas. À medida que se sentia ouvida, ela estava mais confiante em se expressar diretamente. Havia também muito silêncio, cheio dos seus sentimentos, e o meu simples reconhecimento.
No final, ela sentiu-se muito mais leve, e tinha aliviado uma grande quantidade de sofrimento e irritabilidade que transportava consigo desde o divórcio.
Para que este processo fosse bem sucedido eu tinha de ser persistente, focando a sua consciência, trazendo-a para a sua experiência através da participação na experiência com ela, e cortando com o contar da história que consistia numa forma de ela evitar sentimentos profundos. Proporcionei um recetáculo relacional para a irritabilidade, apoiando-a e encorajando-a a expressar-se...levou algum tempo antes dela sentir segurança suficiente para fazer isso. Também não correspondi com os seus evitamentos; pedindo-lhe contrariamente para integrar realmente a sua experiência.
Em resposta dei-lhe reconhecimento, que era pelo que ela mais ambicionava - ser vista e ouvida neste local. Eu não era o seu ex-marido, mas energia entre nós era forte o suficiente para que ela se sentisse satisfeita a expressar-se para mim como representante. A minha ligação inicial era, de facto, eu ser homem suficiente para evocar o fortalecimento dos seus sentimentos, e a minha recetividade era real o suficiente para ela sentir que não estava simplesmente a 'atuar'.
O que foi notável foi ela não ter gritado, atirado almofadas ou elevado a voz. A irritabilidade desloca-se na relação e pela posse, não necessariamente através de técnicas terapêuticas dramáticas.

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