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I teach and practice Gestalt therapy, Career decision coaching, and Family Constellations work. As well as Australia, I teach workshops and training in China, Japan, Korea, the USA & Mexico. I am author of Understanding The Woman In Your Life, a book of advice for men about relationships with women. In my work as director of Lifeworks I provide therapy,  training and supervision. I am a Phd candidate, studying the interpersonal dynamics of power, and am currently director of an MA in Spiritual Psychology for Ryokan College, an accredited online institution based in LA.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Case #76 - O cliente à deriva

Anne era uma mulher jovem, que mostrava muita paixão quando falava. Os seus pais tinham-se divorciado quando ela tinha 10 anos. Descreveu-me a mãe como sendo extrovertida e dramática, enqanto o seu pai aparentava ser mais tranquilo. Mas internamente, falava do seu pai como sendo ´retorcido´, uma vez que o seu estilo de comunicação parecia dar apoio; no fundo tratava-se frequentemente das suas necessidades e do seu auto-interesse, mas expressadas de forma indirecta.
Descreveu várias situações em que tinha perdido o respeito pelo seu pai devido a este estilo de comunicação, e à sua consequente decepção. Sentia-se de algum modo superior a ele, na medida em que ela expunha o seu estilo indirecto e manipulativo, e ele não podia negar os seus motivos ocultos.
Isto alertou-me para a dinâmica entre nós. Salientei que eu era um homem, provavelmente de uma idade próxima à do seu pai, e estava portanto interessado em como ela experenciava estar comigo. A experiência dela era positiva; chamei-lhe então a atenção para algumas das maneiras em que eu tinha uma comunicação indirecta. Depois de o fazer, ela disse que agora já não me tinha num pedestal, mas mais ao seu nível.
Tal foi um bom começo. Mas foi importante abordar directamente a própria dinâmica interpessoal. Contei-lhe então algumas das minhas respostas à forma como a tinha visto comunicar, não do ponto de vista da minha crítica face a ela, mas sim da minha auto-crítica  em resposta o seu estilo de comunicar. Ela tinha feito muitas perguntas, eu apreciava a sua energia e interrogação e ao mesmo tempo, dava por mim um pouco frustrado pelo modo como ela ´estava em todo lado´.
Assim, ao dar-lhe a minha perspectiva sobre mim próprio, dei-lhe um modo de olhar para dentro de mim, para o meu estilo indirecto - normalmente não expresso, e provavelmente invisível para ela. Tal requereu uma vontade da minha parte de expôr o meu próprio ego. Disse-lhe ´com isto, estou a passar-te uma arma para as mãos´. Perguntei-lhe então como se sentia agora em relação a  mim. Havia uma combinação de se sentir aliviada com a minha honestidade, bem como algum sentimento de superioridade.
Isto foi importante, pois aprofundou o contacto entre nós. Este tipo de autenticidade permite-nos chegar ao coração das dinâmicas relacionais, no aqui e agora.
À medida que conversávamos, notei que ela derivava do assunto, e no seu estilo altamente energético, passava a outros tópicos. Comentei-lhe que do meu lado me estava a sentir perdido, e ela salientou o modo como recebia esse feedback de várias pessoas.
Já tinhamos alcançado muito na sessão - não tinhamos resolvido nada, mas trouxéramos alguns aspectos profundos da experiência para a relação. Podia reparar que se seguisse a sua direcção, poderíamos facilmente derivar para outros tópicos... Experienciei isto como um movimento desenraizado, pois não se mantinha com uma figura clara.
Assim, fui fechando a sessão. É importante não deixar que muitos assuntos surjam numa sessão, de facto, é melhor escolher apenas um, mover-se através da Gestalt emergente, e depois fechá-lo, para permitir que a pessoa o possa digerir. É comum as pessoas quererem ´mais´ antes de terem realmente interiorizado o que foi abordado, e portanto é importante para mim como terapeuta ser contentor, estabelecer o limite, e deixá-las ficar com o que foi conseguido até então, em vez de seguir para o próximo tópico de interesse.
Tínhamos conseguido já material para muitas mais sessões, e isto constrói uma base para a continuação. Grande parte da terapia tem a ver com construir esta base, e é esta mesma base que de diversas formas fornece muito do valor derradeiro, para além dos assuntos e intervenções específicas.
Confrontado com a sua dificuldade em permanecer com uma figura clara, eu desloquei-me para o diálogo, em vez de continuar a tentar facilitá-la. Isso apenas levaria a uma ´contenda´ - eu a tentar focar-me nela, e ela a usar o seu estilo daquilo a que chamamos ´deflexão´em Gestalt. É uma forma de estabelecer contacto que dilui a intensidade do contacto. De modo a podermos trabalhar através de figuras de interesse em Gestalt, a tomada de consciência necessita estar presente e focada. As pessoas têm diversas formas de interromper esse fluxo de consciência  - descrito como ciclo do contacto, ou ciclo de awareness (tomada de consciência) no original - não atigindo portanto a conclusão. Isto leva a assuntos pendentes e a uma falta de contacto satisfatório.
Mas oferecer ou apoiar um bom estilo de contacto não é suficiente. As pessoas fazem as suas interrupções habituais, e fazem-no geralmente sem tomarem consciência disso. Neste caso, trouxe alguma atenção para este processo de interrupção - algumas vezes isso é suficiente, outras é necessário fazer um trabalho lento e muito cauteloso, de outra forma as pessoas podem´resistir´ o que significa que se sentem inseguras.
É aí que a vertente  a longo prazo é necessária, para criar uma base de segurança.

sábado, 18 de julho de 2015

Case #75 - Deixando cair os "deverias"

Brigitte apresentou um conflicto que tinha com o seu marido com quem estava casada há 18 anos. Ela queria que os pais dela viessem morar com eles, e ele não queria.
Convidei-a então para o diálogo clássico em Gestalt, usando duas almofadas, uma para ela, outra para o seu marido.
Ao longo da ´conversa´ ela fez duas afirmações. A primeira era sentir-se culpada por se encontrarem ambos numa situação familiar feliz, mas não terem os pais presentes. A segunda era que eles deveriam tomar em consideração as necessidades dos pais dela.
Peguei na culpa - uma vez que geralmente está a disfarçar um ´deveria`. Certamente, este ´deveria` era ´Eu não deveria ser mais feliz que os meus pais´.
Pedi-lhe então para pôr este ´deveria` na almofada, e seguiu-se uma conversa. O ´deveria`pregando-lhe um sermão acerca de ser boa para os seus pais. A sua resposta foi de zanga - não me digas como viver a minha vida.
Pedi-lhe que se movesse de um lado para o outro na conversa. A dada altura, como que colapsou - disse ´ok` ao ´deveria`. Mas isto não era uma verdadeira capitulação, pelo que identificámos o sucedido e eu encorajei-a a prosseguir.
Foi então que ela teve um flash - quando tinha 5 anos e a sua mãe lhe estava a dar de comer, esta disse-lhe, ´um dia quando fores mais velha tomarás tu conta de mim´.
Pedi-lhe pois que falasse com esta afirmação da sua mãe, mas da sua posição de agora, como uma mulher de 43 anos. Disse - Eu sou a tua filha, não a tua mãe. Não é que eu deva tomar conta de ti, isso não é bem assim.
Ela foi bem clara neste ponto. Algo se tranquilizou nela, aquilo a que chamamos ´integração´- quando um insight, juntamente com uma experiência vivida no corpo e uma mudança na energia se tornam unos.
Isto clarificou o ´deveria´ de um modo que levou àquilo a que chamamos ´digestão`, isto é, ficar com o que é nutritivo e deixar o resto.
Os ´deverias` são crenças não digeridas que trazemos connosco, vindas dos pais ou da sociedade. Podem conter valor ou verdade em si, mas precisam de ser processados para descobrir o que serve a cada um de nós. De outro modo, continuarão a governar - consciente ou insconscientemente, de um modo tirânico. Deixamos de ouvir estas mensagens como vindas do exterior - interiorizámo-las, introjectámo-las.
Assim, em Gestalt, reanalizamo-las, para as actualizar.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Case #74 - Deixando-se nutrir

Disse a Annabelle que apreciava a forma como ela encarava a vida e as relações. Isto constituia um sítio de mutualidade, um sitío onde partilhávamos valores. Falei-lhe então de mim, incluindos os pontos em que encontrava discrepâncias entre os meus valores de autenticidade, prestabilidade, e as minhas próprias necessidades e limitações.
Annabelle falou-me de como ela podia dar aos outros estando no seu papel, mas era mais difícil para ela receber. Partilhou então comigo que obtinha pouco prazer da comida, e que se tinha que forçar a si própria a comer.
Embora isto representasse um espectro de temas muito abrangente, relacionados com o campo (a comida está estreitamente relacionada com a família e com o tipo de relações à medida que vamos crescendo), quis manter o foco na relação terapêutica.
Sugeri então uma experiência em que eu faria algo que a nutrisse, e ela praticaria aceitar receber.
Demos as mãos. Lentamente acariciei-lhe as mãos com os meus dedos. Ela começou a acariciar de volta, mas eu detive-a - esta era a sua tendência de dar em vez de receber. A direcção que lhe apontei foi a de ver se ela podia receber algum sustento e prazer.
À medida que o fazia, ela indicou-me não ser capaz de receber muito - os seus braços estavam rígidos. Também mordiscava os lábios, e estava consciente de fazer várias coisas que bloqueavam receber algum sustento de mim.
Então, segurando as suas mãos, levantei lentamente os seus braços e movimentei-os. Pedi-lhe que abdicasse do controlo, que relaxasse e me deixasse fazer aquilo. Era muito difícil para ela, mantinha-se rígida e tratava de seguir os meus movimentos, em vez de me deixar conduzi-la.
Fizémos este exercício durante algum tempo. Foi capaz de afrouxar um pouco, e à medida que o fazia, foi capaz de se deixar nutrir um pouco. Mas era difícil para ela.
Dei-lhe como trabalho de casa encontrar uma outra pessoa com quem praticar.
Em termos de trabalho futuro, haveria também várias formas de o continuar - explorando a sua resistência a abdicar do controlor, bem como a sua reluctância em deixar-se nutrir. Viríamos a abordar qualquer assunto de família que estivesse relacionado com este tema, incluindo o sítio onde se guardava a comida em sua casa.
Em Gestalt, cada vez que encontramos uma ´resistência` não tratamos de a romper - em vez disso respeitamo-la. Procuramos o contexto - a situação original que ameaçou o ´ajuste criativo`.
Tratamos de apreciar o ajuste criativo, entendê-lo, e tratá-lo de forma positiva. Deste modo, pude descobrir quão importante era para ela manter-se em controlo, o que estava em jogo ao abdicar desse controlo e poder confiar. É como se de repente se tornasse evidente que confiar, relaxar, não era uma boa ideia no seu contexto familiar/original. Sendo assim, qualquer nova experiência comigo teria de ser encarada com calma, apreciando o quão arriscada poderia ser. É melhor trabalhar muito devagar, de um modo que possa ser integrado - as experiências teriam então que levar isto em linha de conta.
Também viríamos a experimentar comer algo durante a sessão - por exemplo pedaços de maçã. E realizar uma experência de tomada de consciência relacionado com comida, notando os detalhes do processo. Em vez de comportamentos do tipo ´falar acerca de´, procuramos sempre explorá-los na própria sessão, com tomada de consciência e apoio.

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