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About Me

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I teach and practice Gestalt therapy, Career decision coaching, and Family Constellations work. As well as Australia, I teach workshops and training in China, Japan, Korea, the USA & Mexico. I am author of Understanding The Woman In Your Life, a book of advice for men about relationships with women. In my work as director of Lifeworks I provide therapy,  training and supervision. I am a Phd candidate, studying the interpersonal dynamics of power, and am currently director of an MA in Spiritual Psychology for Ryokan College, an accredited online institution based in LA.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Case #34 - Contato e autenticidade

O Nathan é um homem robusto, cheio de ideias, e com uma presença clara e forte.
A sua questão era a autenticidade. Ele não sentia que era verdadeiramente autêntico com os outros.
Quase nunca discutia ou argumentava. Era cooperante no trabalho e em casa.
A sua história familiar era de violência entre o irmão e a irmã mais velhos. Ao passo que, na família, ele ocupava o lugar de 'bom rapaz'. Houveram dois episódios que tiveram impacto nele enquanto criança. Um, foi estar bastante irritado com o seu irmão mais velho e ter atirado um objeto que quase lhe perfurou o olho. O outro, foi quando bateu num rapaz da escola, que posteriormente veio à sua casa e lhe arranhou a cara.
Desde essa altura, ele começou a conter-se e a não bater mais.
Surpreendeu-me ao dizer que não era muito confiante de si mesmo. Fiquei surpreendido porque ele era claramente um homem poderoso, estabelecido no seu corpo.
Ele disse que tinha um julgamento apurado em relação aos outros, e então tendia a guardá-lo para si mesmo.
Dei-lhe um processo de autenticidade, que em primeiro fiz com ele.
Havia três componentes - o que ele pensava, o que ele sentia, e o que ele queria do outro.
Fiz isto com ele, e ele comigo. Foi capaz de o desenvolver com facilidade.
Defini isto como um encontro autêntico. Continuando, iria conduzir a um diálogo autêntico, e isto eventualmente poderia conduzir a uma relação autêntica.
Depois convidei-o a fazer isto com três pessoas do grupo. A primeira, foi bastante simples. A segunda, foi uma mulher que lhe deu resposta de forma bastante complexa. Ele perdeu-se, e então disse-lhe para responder com uma declaração sentimental. Dei-lhe a fórmula, especialmente quando a responder a mulheres: depois da primeira declaração autêntica do encontro, ele devia fazer três declarações de sentimentos para cada declaração de pensamento que tivesse.
Depois ele praticou isto com uma pessoa.
Perguntei-lhe o que ele achou; ele respondeu fácil.
Como homem, ele gostava de ter instruções claras. Como pessoa com bastante poder latente, ele apenas precisava de uma forma de explorar isso com segurança.
Ele sentia-se confiante sobre conseguir continuar a praticar o processo.
Claro que ele podia ter trabalhado isto com a sua família na situação original, ou o seu evitamento de conflito. Mas esta foi uma intervenção presente e focada no futuro, e isso deu-lhe uma experiência imediata de sucesso. Foi importante devido à sinalização da confiança. Também lhe permitiu um veículo para a aprendizagem experimental, para que ele continuasse a explorar para si mesmo o processo de contato autêntico.
O contato é uma das facetas chave da teoria e prática Gestaltista, e esse foi o tema central desta sessão.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Case #33 - Uma revelação completa e autêntica

A questão do James era que trabalhava no duro toda a semana, frequentemente a viajar para outras cidades, e voltava a casa à sexta-feira. Estando fora, ele ambicionava retornar. Era importante para ele que a sua esposa e filho estivessem em casa, e que ele entrasse no sentimento de 'casa'.
Contudo, a sua esposa era gestora de relações humanas, e não estava em casa a maioria das vezes. Quando pressionada, ela salientava que a sua carreira também era importante, e que os seus sentimentos é que eram o problema.
Ele estava com a sua mulher há vários anos, e ambos se interessavam por crescimento pessoal e astrologia. Ele descrevia-se pelo signo carangejo, sinalizando sentimentos.
A relação deles era profunda e afetuosa, mas também tinha muitos conflitos, os quais ele queria reduzir para melhorar o relacionamento.
Isto proporcionou-me um contexto de intervenção.
Perguntei-lhe algo que fosse igualmente importante para a sua mulher, que ele gostasse de lhe dar a ela. Ele disse que, quando ela tinha uma apresentação no trabalho e partilhava com ele, ela queria o seu reconhecimento e apreciação.
Pedi-lhe uma segunda coisa. Quando ela lê um livro (geralmente de desenvolvimento pessoal), também queria que ele lesse e que falassem sobre ele.
Perguntei-lhe se ele fazia alguma dessas duas coisas. Ele disse que em determinado nível...mas não que a satisfizesse.
Então sugeri que ele levasse primeiramente a sério esses dois pedidos dela, e que os fizesse sinceramente.
Depois dele ter feito isso por algum tempo, sugeri que lhe fizesse uma declaração completa, complexa e autêntica, sobre o que significava para ele que ela estivesse em casa à sexta-feira à noite.
Demonstrei o que queria dizer com isto através de um exemplo da minha própria vida:
-> Crescendo, os aniversários sempre foram alturas especiais nas nossas casas. Enquanto para a minha mulher eram raramente celebrados; e havia alturas em que o aniversário da irmã era celebrado e o seu não.
Como resultado, ela nunca teve muito entusiasmo com os aniversários; gostava que fossem bastante simples e privados.
Eu esperava um dia especial, com diversas marcas de que era 'o meu dia'. Houve ocasiões em que ela não o fez da forma que eu queria; e eu senti-me bastante magoado; algo que era difícil para ela realmente compreender.
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Então, a minha declaração completa, complexa e autêntica foi algo tipo isto:
Eu sei que os aniversários são um fardo para ti, e que não tiveste uma boa experiência com estes durante a infância. Também sei que tentaste bastante tornar os meus aniversários muito boas ocasiões, e eu estou muito grato por isso. Também tive a sensação que houve alturas em que não te sentias no local adequado por uma variedade de razões, colocando um esforço extra, ou fazendo mais do que uma determinada quantidade. Compreendo que para ti se relaciona com o que sentes genuinamente que consegues dar, e que não esperas mais que isso no teu aniversário. Contudo, eu sou diferente de ti. Os aniversários também são em certa parte um fardo para mim, mas de forma diferente. Porque eu tive a tradição deles serem muito especiais, tenho uma expetativa e esperança profundas de que sou o 'primeiro' naquele dia. E que, mesmo que não estejas nos teus melhores dias, que te sentes comigo apenas naquele dia para que eu sinta que estou a receber algum tipo de tratamento especial. Isso seria muito significativo para mim, e mais ainda porque eu sei que não é sempre fácil para ti. Sinto-me um pouco no limite a dizer-te isto, porque é importante para mim, e porque é um assunto difícil para ti. Gostava que considerasses o que te estou a pedir, que pensasses no que te estou a pedir, e que falasses comigo noutra altura se sentisses essa necessidade.
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Dando ao James este exemplo pessoal da minha vida, ele podia entender como construir uma declaração pessoal profunda e autêntica por si mesmo, para a sua questão.
O Gestaltismo consiste em ser profundo e autêntico no relacionamento, e em ligações futuras e intimidade. Este é um exemplo de uma forma de agir com um cliente que já tem um nível de comunicação avançado.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Case #32 - Recursos autênticos

A Diana tinha dois problemas. O primeiro era que o primeiro filho, de 12 anos, não estudava tanto quanto ela gostaria.
Perguntei-lhe, numa escala, o quão bem ele estava e ela respondeu 6 ou 7. Ele fazia os trabalhos-de-casa? Sim. Mas, de facto, para entrar para uma escola de topo ele precisava de melhores resultados, e então a pressão começava a sentir-se.
Primeiro, respondi do meu próprio território - as minhas crenças centradas nos pais sobre o crescimento dos filhos, as minhas crenças sobre a importância do equilíbrio na vida da criança, e os meus valores sobre os resultados académicos não serem sempre o objetivo principal.
Isto foi importante, deixar a minha própria posição bem explícita, preencher quaisquer fronteiras de diferença, e descobrir onde e como a minha vontade de apoio (e as limitações deste) poderia encontrar-se com a posição dela.
Ela estava em conflito, tinha lido muitos livros de educação parental, e tentava criar algum espaço para ele, mas estava preocupada com o seu futuro e não sabia efetivamente como o motivar.
Então, a minha proposta foi a seguinte: ela sentava-se com ele, dizendo-lhe o que era importante para ela no seu crescimento.
Depois, ela imaginava o cenário que ele enfrentava - uma escola e sociedade altamente competitivas, que requeriam certas notas para a entrar em determinadas instituições. Ela deveria mapear as distintas instituições, os requisitos, e as vantagens e desvantagens de frequentar estas.
Depois deveria apoiá-lo a decidir quais eram os seus objetivos, onde ele queria acabar, e o que ele precisava de fazer para que isso acontecesse.
Desta forma, ela poderia ser completamente autêntica, enquanto ao mesmo o apoiava a encontrar o seu próprio campo. A sua vontade e desejo de o apoiar podiam então ser dirigidas de uma forma que sustentasse as suas escolhas, em vez de escolher por ele.
O seu segundo problema era em relação ao seu marido. Ele podia vir para casa, beber uma cerveja, ler o jornal, escrever no seu blog, e ignorar completamente tanto ela como o filho.
Obviamente, ela estava descontente com esta situação, mas não encontrava forma de dar a volta.
A respeito de outras coisas, ele participava na vida familiar, planeava passeios em família, dispendia tempo com a família nestes, e frequentemente cozinhava refeições.
Nunca tinha sido um grande comunicador, então não era nada de novo.
Era claro para mim que incomodá-lo, exigir dele, ou mesmo sugerir que ela tivesse alguma comunicação autêntica não iria ser eficaz.
Perguntei-lhe sobre o blog dele. Ela disse que era muito articulado, divertido e que ele incluia imagens com comentários interessantes. Ela apenas desejava que ele conseguisse falar assim com ela.
A direção estava clara para mim. Ela não ia mudá-lo, mas podia juntar-se a ele. Perguntei-lhe se ele tinha um ipad. Ela disse que lho tinha escondido.
Instruí que lhe desse imediatamente o ipad, mas que comprasse um para ela. Assim, ela podia comunicar com ele por escrito. Podia responder no seu blog (ele respondia às pessoas que faziam isso), podia mandar-lhe apontamentos, cartas, pequenos recortes. Enquanto ele estava sentado com o jornal, ela podia enviar-lhe comentários. Ela podia escrever cartas, imprimi-las, enviá-las por email, ou colocá-las sob a almofada dele.
Desta forma, eu estava a utilizar o que estava disponível. Isto não era trabalhar as suas dinâmicas intrapsíquicas, e eu recusava-me a reforçar a sua noção de que havia algo de errado com ela por ele não lhe prestar atenção. Contrariamente, procurei por onde estavam os recursos, e de que forma ela podia criativamente estabelecer contato com ele para que encontrassem um caminho para sair da estrutura fechada do seu relacionamento.

sábado, 16 de agosto de 2014

Case #31 - Trocar sexo por intimidade

A Louise disse que queria mais paixão no seu relacionamento.
O seu marido teve um caso há 5 anos. Durou aproximadamente um ano. Ele confessou, ajoelhou-se e implorou por perdão, e terminou o caso.
Desde essa altura as coisas têm melhorado lentamente, mas ainda há questões que marcam a Louise.
Quando ele lhe falou a primeira vez sobre o caso, ela respondeu de forma muito racional, perguntando se ele ia deixar o casamento ou não. A sua forma imediata de lidar foi avaliar a situação, e trabalhar em que estado ela e ele se encontravam. Foi uma boa estratégia inicial de sobrevivência.
Contudo, mais tarde, ela sentiu muita tristeza.
Mais recentemente, ela também se tem sentido irritada.
Mas isto não foi algo que ela evocou. Ele indicou que, se ela estava mesmo irritada, estava disposto a deixá-la (sem culpa). Então ela sentia receio de que ele fizesse isso se ela expressasse como se sentia.
Mas isto estava a consumi-la. E, apesar de haverem muitas coisas boas no relacionamento, ela não se encontrava completamente aberta para ele outra vez, incluíndo ao nível sexual - ela resguarda-se um pouco. Perguntei-lhe com que frequência tinham relações sexuais - cerca de 4 vezes por mês.
Perguntei-lhe o quanto falavam - cerca de meia hora por dia, em média.
Pedi-lhe que avaliasse o nível de inteligência emocional dele. Ela disse 3. Era claro, para mim, que dadas as ciercunstâncias ela não iria ter o tipo de escuta que ela queria dele. Trabalhar com ela a expressão dos seus sentimentos não iria ter muita utilidade; poderia libertar alguma irritabilidade, mas não iria aumentar a intimidade entre eles, porque nada mais viria realmente da parte dele. E, sem falar com ele sobre o que estava a acontecer para ela, o relacionamento deles continuaria de certa forma superficial.
O Gestaltismo não trabalha para o 'perdão', embora enfiatize 'o que é'. Mas, neste caso, havia um leque de escolhas de que ela nã estava consciente.
A Louise era uma observadora, e relatava ter alterado a sua forma de ensino ao longo dos anos para abandonar os 'deveres e não deveres', e tinha alcançado uma mudança gradual e bastante significativa na sua turma. Ela tinha estado constantemente numa 'busca de si mesma'.
Então percebi que ela tinha os seus recursos, e que claramente tinha trabalhado o seu próprio crescimento.
Mas isto não tinha, na verdade, sido transportado para o relacionamento do casal.
O meu foco foi trabalhar com o problema do relacionamento do casal, mais do que apenas a um nível intrapsíquico com a Louise, ou mesmo interpessoal comigo.
Então propus algum trabalho-de-casa.
Isto envolvia, basicamente, um acordo: mais sexo por mais intimidade.
Sugeri que dissesse ao seu marido que queria mais relações sexuais com ele, e maior proximidade. E que, para ela fazer isso, precisava de maior intimidade.
Para obter isso, eles deviam dispender meia hora por dia a desenvolver a intimidade no seu relacionamento. Sugeri uma gama de opções - praticar um discurso com autenticidade sobre pequenas coisas entre ambos; ler um livro juntos e discuti-lo; praticar alguns exercícios juntos, como escuta ou expressão emocional; criar espaço para os ressentimentos de cada um; ou apenas fazerem algo em conjunto que aumente a sensação de ligação e proximidade.
Concordei com ela que isto era completamente injusto. Ela estava, de certa forma, a desempenhar o papel de professora e a aumentar o ritmo dele, apenas para que ela conseguisse exprimir a sua irritabilidade para ele de forma segura. Não era justo, na medida em que ela estava a fazer o dobro do trabalho naquele sentido.
Contudo, haviam outros benefícios em diversas formas, e isso poderia também permitir-lhe obter os seus objetivos de trazer mais paixão para o relacionamento.
O resultado seria que eles estariam mais próximos de estar na mesma página, mais do que ser ela a única a ter uma experiência de maior consciência pessoal.
Esta aproximação utilizada chama-se 'trabalhar a relação do casal com uma pessoa'. Isto é, mantemos o relacionamento na vanguarda quando trabalhamos com um cliente. Mais do que focarmos apenas nele, observamos de que forma podemos fortalecer o relacionamento.
Muitos sentimentos, identidades e histórias são fruto do relacionamento do casal. Então, uma forma de mudança, é tornar significativa a alteração no relacionamento mais do que focar na experiência individual. Isto utiliza uma aproximação de terreno, trabalhando com o conjunto em vez das suas partes.
Soava bastante mercenário falar sobre trocar sexo por um diferente comportamento - mas as pessoas fazem isto inconscientemente de qualquer forma. Tomar posse do que um faz, trazer isto para a frente do relacionamento, realmente permite escolhas ao outro. Desta forma, a proposta não era manipuladora, mas antes honesta. E tamanha troca neste contexto consiste em algo que melhora o relacionamento do casal.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Case #30 - Uma boa razão para não sentir sexualidade

A Bridget reportou ter um sentimento "gelado" ao fundo das costas e na área genital. Ela estava divorciada há 5 anos e não tinha econtrado outro relacionamento.
Disse que tinha sido magoada pelo seu marido. Nunca tinha sido muito responsiva sexualmente para ele, mesmo ele tendo-se esforçado bastante durante vários anos, e a relação tinha muitos aspetos bons.
Perguntei-lhe especificamente como ele a tinha magoado, mas ela teve dificuldade em apontar isto. Ela disse que se tinha sentido próxima dele, tendo sido nessa altura que experimentou o sofrimento.
Mas parecia que ele não tinha feito nada em particular que fosse prejudicioso. Então as setas apontavas para outro lado.
Ela relatou que nunca tinha, na verdade, grande sentimento no seu corpo, e ponto final.
Eu coloquei-me no momento, contei-lhe a minha própria experiência de dissociação, e como achei difícil encontrar-me plenamente no meu corpo.
Ela disse que suspeitava, para ela, ter resultado de testemunhar o seu irmão ser espancado pelos seus pais desdes os 8 aos 16 anos. Depois disso ele foi roubado por traficantes humanos, e passaram 5 anos até conseguir escrever uma carta e ser resgatado. Contudo, depois disso, ele vagueou pelas ruas com outros mendigos, roubou, esteve preso diversas vezes, e até roubou a irmã quando ela o tentou ajudar.
Há 15 anos o pai deles morreu, e ela comentou que desde essa altura o seu irmão estava bem, feliz, e a ter uma boa vida.
Não obstante, ela ainda sente muito sofrimento e culpa por não ter consiguido fazer nada relativamente aos maus tratos.
Salientei que ela nunca tinha tido nenhum apoio durante aquele tempo - ninguém com quem falar, ninguém que a confortasse.
Sugeri que, dado que o sofrimento ainda se encontrava muito presente para ela, eu me sentasse junto dela e colocasse o meu braço em sua volta, para que ela pudesse sentir o apoio que nunca teve. Para ter o sentimento como se eu estivesse lá, naquele momento, com ela.
Enquanto fiz isto, ela começou a soluçar com profundo e extremo sofrimento, ofegando. Eu segurei-a e respirei, ficando bastante presente, ouvindo a terrível dor no seu choro.
Após um longo tempo o seu choro diminuiu, e ela ficou quieta e sossegada. Eu disse umas palavras de reconhecimento.
Depois, ela sentou-se e olhou para mim. Disse 'agora quero dar-lhe algo'. Eu podia sentir a mudança nela, e a minha energia. Disse-lhe que conseguia sentir isso, que sentia calor. Ela relatou sentir calor em si mesma, através do seu corpo.
Perguntei-lhe o que me queria dar, mas ela debateu-se por um tempo com as palavras.
Então ela disse 'gostava de beijar os seus olhos com os meus'. Conseguia sentir a sua abertura e a troca de energia entre nós. Eu disse que agora ela estava no seu corpo, e pronta para um relacionamento. Ela assentiu.
Não peguei na primeira figura que ela evocou (sentimentos gelados), nem na segunda (falta de sentimentos gerais pelo seu corpo). Respondi em diálogo e aguardei até que algo emergisse, que seria o problema não resolvido no âmbito familiar.
Testemunhar tamanho trauma deixou uma marca profunda nela e, apesar do seu irmão ter finalmente recuperado a sua vida, ela ainda suportava o sofrimento e culpa. Ela não conseguia prosseguir para si mesma enquanto não se visse no seu lugar de sorimento com total apoio.
Promovendo essa esperiência foi despoletada uma experiência de cura profunda, permitindo-lhe espontaneamente deixar ir o sofrimento e culpa, voltar para o seu corpo, e estar disponível para sentimentos sexuais.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Case #29 - Fazendo crescer a pequena rapariga irritada

A Cathy trouxe a questão do 'ressentimento relativamente ao pai'. Perguntei-lhe o que a ressentia, ela respondeu que ele se tinha divorciado da sua mãe quando ela tinha 4 anos.
Explorei a natureza do seu terreno. Isto tinha acontecido há 20 anos, e ela apenas tinha visto o seu pai 10 vezes desde essa altura. Ela sabia muito pouco acerca dele.
Acreditava que a sua mãe era a vítima - o seu pai teve um caso, e depois voltou a casar.
Ela não fez qualquer esforço na sua vida adulta para contatar com ele. Quando lhe perguntei porquê, ela respondeu que anteriormente ele trouxe a filha do segundo casamento e a Mary sentiu extremos ciúmes ao ver a afetuosidade que ele tinha com a sua meia-irmã.
Eu disse-lhe que não ia trabalhar a questão do divórcio dos seus pais, ou o seu ressentimento sobre isso (devido a isso não estar realmente centrado na sua questão). Contrariamente, eu queria apenas trabalhar com ela como adulta, e descobrir o que ela precisava de fazer no presente.
Ela estava relutante, mas as minhas fronteiras eram claras.
Contei-lhe a história do meu próprio divórcio e a conversa que tive com a minha filha mais velha quando ela cresceu, e a falta de informação que ela albergava.
Disse-lhe que estava disposto a apoiá-la a encontrar as suas próprias conversas com o seu pai, mas não a manter-se no papel de desamparada, vítima ou sem poder.
Ela tinha herdado as histórias da sua mãe, e tinha sido colorida por estas. Como adulta, ela tinha as suas próprias escolhas para exercitar e podia descobrir diretamente do seu pai qual era o seu lado da história. Ela ainda não tinha feito isso, então o meu foco era avançar para isto futuramente, em vez de tentar revolver sobre o passado.
Além disso, enquanto falávamos sobre este assunto a Mary tinha voz de menina e maneirismos. Disse-lhe que compreendia e sentia compaixão por ela ter perdido tanto com o seu pai, mas isso eram agora águas passadas e não um contributo para a terapia, ou que a interação com ele pudesse recuperar esses anos perdidos.
Tínhamos de estar com a parte trágica disso como era, e encontrar os recursos desse ponto.
Isto era uma linha difícil, mas fazer de outra forma tinha sido ajudar e estimular que ela ficasse presa num local sem apoio, querendo para sempre algo que ela tinha perdido.
Por vezes a aumentada empatia pode ajudar as pessoas, mas outras vezes é preciso clarificar as fronteiras, e a forma como seguir em frente em vez de estar constantemente a olhar para trás. No seu eu de pequena menina, ela não tinha escolhas, não tinha capacidade de se deslocar a favor dele.
Ela relatou que se o visse, como em criança pequena, lhe teria batido. Claramente ela estava irritada, e eu achei isso normal. Mas ela não encontrou nenhuma outra forma de se relacionar com ele, e estava ainda irritada da mesma forma que quando era criança.
Então propus uma experimentação: começar de uma posição na sala que ela determinasse como próxima da sua mãe, e caminhar através da sala até ao seu pai. Talvez para ter uma conversa com ele, ou talvez apenas para ficar junto dele.
Ela foi bastante desafiada por este convite, e estava assustada. Fiz tudo o que foi possível para a encorajar, mas também lhe dei escolha. Recordava-lhe com frequência que tinha 24 anos. Pedi-lhe que abandonasse a voz de menina, para a fortalecer em vez de a atolar (ela disse ter dores de costas regulares), e para se deslocar para um lugar de adultez e capacidade de escolha.
Lentamente, ela concordou com a experimentação. Deslocou-se, um passo de cada vez, precisando de bastante apoio em cada passo para não colapsar. Finalmente, ela alcançou a posição do pai, e eu pedi a alguém para desempenhar o papel de pai dela.
Ela achou impossível falar com ele. Então perguntei-lhe o que ela estava a sentir, e pedi que colocasse isso em frases que pudesse utilizar. Fiz isto para meia dúzia de sentimentos, para que ela tivesse uma variedade de coisas para dizer. Ela precisava de mais encorajamento para ser capaz de exteriorizar as suas palavras. De facto, ela fez uns sons de respiração curtos e agúdos que, quando identificados, continham a sua mágoa sobre a atenção do pai para a sua meia-irmã.
Ela queria fazer-lhe algumas perguntas, mas eu direcionei-a apenas para fazer declarações. Salientei a manipulação destas questões, e trouxe-a de volta para as razões que a levavam a querer alcançá-lo.
Finalmente ela falou para ele, dizendo-lhe que estava irritada, magoada, e também satisfeita por o ver. Ela falou essencialmente das suas preocupações e medos. A resposta mais representativa foi que ele estava satisfeito por a ver; isto não era o que ela esperava.
Todo o processo foi muito difícil para ela. Eu tinha de facilitar a experiência, como por exemplo, dizer-lhe que ela estava apenas num grupo terapêutico, que não era verdadeiramente o seu pai e a sua mãe lá, e que ela estava apenas a deslocar-se sobre um chão de bambu, nada mais. Isto reduziu a valência emocional apenas superficialmente. Acompanhei-a em cada passo, treinando, apoiando e desafiando-a a manter-se adulta.
Isto foi um exemplo de 'emergência segura' na experimentação Gestaltista, onde pisámos num terreno geralmente muito difícil, no entanto fazendo-o com tanto suporte quanto necessário.
Isto permite à pessoa ter uma nova experiência.
Contudo, estas experimentações não são prescritivas, e os clientes são encorajados em não as tornar em 'novos' deveres, mas antes a vê-las como formas de exploração da consciência e poder de escolha.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Case #28 - As calças falantes

A Nancy abrangeu toda a variedade de questões. Ela sentia que existia uma falha entre a autenticidade e o seu comportamento. Tinha uma criança do seu primeiro casamento; tem havido muito pouco conteúdo no relacionamento, raramente vivendo juntos.
Falou sobre o seu segundo casamento, ter tido vários abortos, e depois o seu marido querer outra criança mas ela, na verdade, não. Falou sobre ser muito feliz com o seu segundo marido, mas por vezes escondendo dele a sua participação em workshops. Falou sobre não ser fisicamente forte, e querer mudar isso.
Salientei que uma questão leva à outra, e que nenhuma parecia fixar-se, para aprofundar, para ser possível uma centração. Na verdade, ela disse que outros terapeutas tiveram dificuldade em segurá-la.
Perguntei-lhe o que queria de mim: 'ser salva' respondeu ela. Expliquei-lhe que havia uma parte de mim que ficaria deliciado em tentar salvá-la, mas que isso, até agora, não parecia estar a funcionar muito bem; e que outra parte de mim queria dar-lhe poder, mas que isso parecia também não funcionar.
No início da sessão reparei nas suas calças - um design bastante complexo e colorido. Diversas vezes dei por mim a reparar nelas. Também reparei na sua boca - ela tinha muitas expressões e, com frequência, mordia o lábio ou mostrava os dentes de forma particular.
Comentei ambos. Ela não tinha consciência da sua boca, e não estava interessada nas suas calças.
Após alguma discussão, voltei às suas calças, e sugeri que descobríssemos se elas nos poderiam ajudar a determinar as questões para trabalhar.
Perguntei-lhe que aspeto destas ela realmente gostava. Ela mostrou uma pequena área em volta do tornozelo, e apontou para três cores diferentes, descrevendo-as como tons quentes e tons frios.
Então pedi-lhe para 'ser' cada cor, e para se descrever a si mesma. Ela falou de um eu caloroso, solarengo, entusiasta e brilhante. Depois um eu fresco, pensativo, que gostava de estar sozinho. E um ser gelado, calculista e racional.
Eu dei-lhe as minhas respostas a isto. Quando chegou ao último, ela reagiu imediatamente, antecipadamente declarando que esta parte não estava bem, e que se culpava a si mesma.
Verificou-se que ela tinha muitos deveres, tornando aquela parte errada. Perguntei-lhe de onde vinham - da sua mãe. Então arranjámos uma almofada para fazer de sua mãe, e falou com ela, declarando a sua ligação e também as suas fronteiras em volta da lista de deveres.
Depois havia a sua anterior sogra que, de certa forma, tinha sido 'ideal', mas ainda com mais obrigações. Pedi-lhe que imaginasse a sogra na almofada e, novamente, que estabelecesse a sua ligação e também os seus limites.
Voltei, de cada vez, à parte em queela era fria e calculista, tentando validá-la. Cada vez que ela começava a pousá-la, eu perguntava se ela queria deixar os deveres a dominarem, e ela respondia 'não'.
Finalmente, ela estava capaz de me ouvir, enquanto lhe falava do meu próprio eu calculista. Eu disse-lhe que se estivesse no modo de trabalho/empresário, ou a sentir-me muito fundamentado, que podia confortavelmente estar com essa parte dela. Ou que se estivesse no meu prórpio modo frio/calculista, que também estaria bem com isso. Mas que se estivesse a sentir-me vulnerável ou necessitado, que podia sentir-me ferido por este.
Ela foi capaz de me ouvir sem contrariar, e de receber o meu reconhecimento. Ela disse 'mas esta é uma parte que eu quero mudar, na medida em que pode magoar as pessoas'. Eu respondi 'estou mais interessado no seu reconhecimento de que esta é mesmo uma parte de si, e em quando está nesse local - isso é o que me faz sentir seguro consigo'.
Ela compreendeu que não era importante ver-se livre dessa parte, ou até reformulá-la, mas simplesmente reconhecer a sua existência.
Nesta sessão, foi difícil ter um princípio. Cada vez que ela começava com uma figura clara, mudava. Isto, em si mesmo, importava atentar - a mudança do seu foco atencional. Escolhi não me focar nisso, na medida em que não havia muita ligação entre nós. Joguei um pouco com a possibilidade de 'salvação', mas decidi não continuar por esse caminho porque, uma vez mais, não iria perdurar.
Então, em vez de continuar a jogar ao 'gato e ao rato' na procura de um tema claro, voltei ao que era figurativo para mim - as calças. O facto de ela não atribuir significância podia implicar que conseguisemos encontrar algo que emergisse, independentemente da sua resistência a trazer as figuras. Logo de seguida, ela nomeou três partes importantes de si mesma.
Depois explorei o relacionamento entre estas - a minha resposta a cada uma.
A sua resistência para a terceira parte evocada claramente apontou para onde o trabalho tinha de ser feito: lidar com os deveres, e com as suas fontes.
Depois de fazer isto, ela estava capaz de trazer essa parte para a relação comigo, e consigo mesma.
O resultado consistiu na resposta que procuramos no processo Gestaltista: a integração.

sábado, 2 de agosto de 2014

Case #27 - Retidão moral

O John dirige uma pequena empresa. A sua preocupação era ser moralmente correto. Num mercado em que 'tudo vale', ele tinha princípios muito fortes e mantinha-se firme a estes. Era também assim com a sua família - levando os seus deveres de forma séria, respeitando os seus pais, e seguindo as tradições.
Ele sentia-se pesado e sobrecarregado, e questionava se eventualmente a sua retidão moral era mesmo uma coisa boa, ou se, de facto, o seu emprego podia falhar no final por causa de ele não ser capaz de implementar os truques desonestos que os seus concorrentes usavam (como espionagem industrial).
Em primeiro lugar procurei reconhecer as forças da sua forma de estar no mundo, mas isto não o demoveu muito. Ele estava preocupado com que, no mundo real, isto não lhe fosse servir, mas ao mesmo tempo ele queria manter a sua estrutura moral rigorosa.
Então pedi-lhe para identificar as polaridades - uma personagem da história que representasse um homem moralmente correto, e depois alguém que representasse um personagem 'qualquer coisa serve'.
Ele selecionou os dois, e pedi-lhe que se colocasse neste papéis alternadamente, tendo um diálogo entre ambos. Ele achou extremamente difícil, e continuou a querer fugir do papel. Perguntou 'não posso apenas unir os dois'? Mas a integração não surge assim tão facilmente...
Quando no papel concordante, ele disse que seguia uma tradição longa e profunda de ser Chinês, enquanto no outro papel comprometia esses valores.
Então ficou claro - o grau de importância para ele em honrar a tradição, uma profunda ética da cultura Chinesa.
Sugeri que saísse de ambos os papéis, que se sentasse de volta no seu lugar, e que falasse com cada uma das partes. Ele reconhecera a tradição, e depois reconhecera que talvez pudesse aprender algo útil do outro lado.
Isto foi um grande passo para ele.
Sugeri que se colocasse na posição de Imperador, tendo dois assessores em vez de um, e que a sua decisão seria a final.
Ele sentiu-se muito melhor a ouvir isto, e podia reconhecer o valor do 'novo' assessor.
Ele mencionou que havia uma dimensão destas na sua vida pessoal, onde levava as coisas com muita seriedade, que nunca sentiu que podia ter uma pausa.
Então, identificámos outros dois assessores, um que o recordava das suas responsabilidades, o outro mais irreverente, irresponsável, e orientado para a diversão.
Novamente, ele sentiu-se aliviado em ter dois assessores e ser capaz de tomar a decisão final. Pedi-lhe que identificasse uma pessoa atual com um papel divertido, e ele mencionou o seu primo. Previamente, ele tinha visto o primo sob uma perspetiva negativa, mas agora conseguia apreciá-lo, e podia considerar passar mais tempo com ele.
Usamos as orientações do Gestaltismo para as polaridades, reconhecendo que qualquer qualidade existe sempre um oposto implícito. A sobre-identificação com um lado produz uma divisão. O processo Gestaltista é orientado para a integração, que fundamentalmente ocorre através de um processo atual, estando em contato pleno com ambas as partes, mais do que uma simples compreensão intelectual.
Ele não era submisso ao formato usual da experimentação (o discurso direto), então devemos estar sempre dispostos a ser flexíveis em voltar a desenhar a experimentação no local, em resposta à vontade e feedback do cliente.

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